Sunday, December 11, 2005

Desde a infância, faço planos. Planos infantis amadurecidos, queria ser tudo que não sou e, provavelmente, nunca serei. Sonhei em não ser mais uma face na multidão, mas sou. Queria ser bela e inteligente como as pesonagens dos livros que me alimentaram, as heroínas irreais que eram tão verdadeiras a mim que parecia as conhecer. Não quero mais ser Cinderella ou Bela Adormecida, quero ser alguém.

Uma pena, meu alguém é restritamente existencial. Meu alguém é ninguém. Negação, não. Sou aquela que não se manifesta ao invés daquela levada pela timidez. As palavras sempre e nunca, no meu vocabulário são inexistentes. Usadas em vão, me desminto toda vez que as falo. Minhas ações me tormam uma farsária consciente.

Quem me conhece, não conhece; quem não me conhece é aquele com a vaga idéia do meu ser. Temo e amo tudo ao mesmo tempo. Tudo que amo, temo. Tudo que temo, amo. Meus temores amados e amados temores tem direito sobre mim. O meio regulamenta meu eu, fruto do que está a meu redor. Não faço sentido racionalmente, mas me entendo; ou assim me engano.

No livro "As Ondas" de Virginia Woolf tem uma frase que me agrada.

"I am afraid of the shock of sensation that leaps upon me, because I cannot deal with it. I cannot make one moment merge in the next. To me they are all violent, all separate..." Rhoda, The Waves

A linha de pensamento dela é genial. Gosto de genialidade, gosto não...amo; mesmo que me faça sentir uma estupidez abudante. Minha estupidez é facilmente alimentada, mas dificilmente digerida.